Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos o meu óbolo, a fim de vos
ajudar a avançar, desassombradamente, pela senda do aperfeiçoamento em que
entrastes. Nós nos devemos uns aos outros; somente pela união sincera e
fraternal entre os Espíritos e os encarnados será possível a regeneração.
O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso
adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as
vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede
sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios
os cofres, não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de
flores não há sempre oculto um réptil? Compreendo a satisfação, bem justa,
aliás, que experimenta o homem que, por meio de trabalho honrado e assíduo,
ganhou uma fortuna; mas, dessa satisfação, muito natural e que Deus aprova, a um
apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração
vai grande distância, tão grande quanto a que separa da prodigalidade exagerada
a sórdida avareza, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, santa e
salutar virtude que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba
sem baixeza.


