Lembrai-vos: quando uma verdade precisa ser revelada à Humanidade, ela não é confiada a um único médium ou a um grupo isolado. A luz espalha-se naturalmente entre todos os grupos sérios, através de médiuns igualmente dedicados.
Nenhum médium é perfeito se estiver sob influência obsessiva — e há obsessão evidente quando ele só recebe mensagens de um único Espírito, por mais elevado que esse Espírito se apresente.
Por isso, qualquer médium ou grupo que se julgue “privilegiado”, acreditando receber comunicações exclusivas, ou que se entregue a práticas supersticiosas, encontra-se claramente sob influência enganadora. Mais ainda quando o Espírito que domina essas comunicações usa nomes sagrados, que devem ser honrados e jamais expostos a situações que comprometam a sua dignidade.
Se aplicarmos a razão e a lógica ao estudo das comunicações espirituais, torna-se fácil rejeitar o erro e o absurdo. Um médium pode ser fascinado, e um grupo pode ser enganado; mas o controle atento de outros grupos sérios, aliado ao conhecimento doutrinário e à autoridade moral dos seus dirigentes, rapidamente desmascara ditados mentirosos vindos de Espíritos mistificadores.
Desconfiai dos falsos profetas
Esta recomendação é válida em todos os tempos, mas torna-se ainda mais necessária em períodos de transição, como o que vivemos, em que a Humanidade passa por profundas transformações.
Nestes momentos, muitos ambiciosos e farsantes surgem como “reformadores” ou “mensageiros divinos”. É contra esses impostores que devemos estar vigilantes, e é dever de todo espírito honesto reconhecê-los e denunciá-los.
Perguntareis: como identificá-los?
Assim como não se entrega o comando de um exército a alguém incapaz, Deus também não confia missões importantes a quem não tem condições de cumpri-las.
As grandes missões exigem almas fortes, experientes, moralmente elevadas e intelectualmente preparadas.
Por isso, são sempre Espíritos avançados — que já provaram o seu valor em outras existências — que se encarnam para essas tarefas.
Se o missionário não for superior ao meio em que deve atuar, nada poderá realizar.
O verdadeiro enviado de Deus revela-se pela sua superioridade moral, pela sua inteligência, pela sua humildade, pela grandeza das suas obras e pela influência transformadora que exerce.
Se alguém se apresenta como mensageiro divino, mas demonstra caráter inferior ao papel que reivindica, não passa de um impostor que nem sequer consegue imitar o modelo que pretende representar.
Os verdadeiros missionários não se anunciam
A maior parte dos verdadeiros missionários de Deus nem sabe que o é. Eles cumprem o que vieram fazer movidos pela força interior do seu próprio gênio, inspirados silenciosamente por uma influência espiritual elevada que os guia sem que percebam.
Em poucas palavras: os verdadeiros profetas revelam-se pelos seus atos; os falsos profetas apresentam-se a si mesmos como enviados de Deus.
Os primeiros são humildes e discretos. Os segundos são orgulhosos, falam com arrogância e vivem receosos de não serem reconhecidos.
Já houve quem se apresentasse como apóstolo do Cristo, e até como o próprio Cristo — e, lamentavelmente, sempre há quem acredite. Mas uma simples reflexão bastaria para abrir os olhos: se o Cristo reencarnasse, traria consigo todas as suas virtudes e todo o seu poder espiritual. Seria absurdo supor que Ele pudesse “degenerar”.
Se retirarmos uma única virtude do Cristo, já não teremos o Cristo. Observai, então, aqueles que se dizem ser Ele: manifestam todas as suas virtudes? Ou lhes faltam justamente as qualidades essenciais — humildade e caridade — enquanto exibem as que Ele nunca teve, como orgulho e cobiça?
Hoje, em vários países, surgem muitos “cristos”, muitos “Elias”, muitos “Joões” e “Pedros”. É evidente que não podem ser todos verdadeiros. São exploradores da credulidade alheia, vivendo às custas daqueles que os seguem.
Conclusão
Desconfiai dos falsos profetas, sobretudo em tempos de renovação espiritual. Muitos se apresentarão como enviados de Deus, mas buscam apenas reconhecimento humano e satisfação pessoal. Podem enganar por algum tempo, mas a justiça divina — que vê o íntimo de cada alma — não falha.
Em amor e luz
Matéria Sublime
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