Publicação em destaque

Começa a Nova História da Terra

19 janeiro 2012

OCUPANDO O PRÓPRIO ESPAÇO

OCUPANDO O PRÓPRIO ESPAÇO
                                                                      
“Quem encontrou o seu lugar, respeita invariavelmente o lugar dos outros, pois tem sob mira a própria fronteira e, consequentemente, não ultrapassa os limites dos outros, colocando na prática o “amor ao próximo”. Hammed ([1997] 1998:41)

Observando as pessoas em seus relacionamentos podemos ver que a maioria desses encontra-se em conflito, talvez pelo fato dessas pessoas não terem plena consciência de si, e por isso, ficarem um interferindo na vida do outro, invadindo espaços e subjugando vontades. Sem dúvida, em relacionamentos desse tipo, todos são infelizes, pois ninguém se respeita. Então, o que fazer, ou como proceder para melhorar os nossos relacionamentos e conviver em paz com o outro?


A espiritualidade nos propõe ocuparmos o nosso próprio espaço, não invadindo o do outro, conforme podemos ler em O Livro dos Espíritos ([1857] 1987:344): “Haveria lugar para todos, se cada um soubesse ocupar o seu lugar”. Mas, uma postura dessa, só encontramos em pessoas que possuem plena consciência de si, que sabem o que são e onde estão, ou seja, se auto-conhecem. O que não é fácil, pois raros são os que buscam o auto-conhecimento, acreditando talvez, que a paz que sonham venha a cair do céu.

Para conquistar qualquer coisa na vida precisamos de determinação, empenho e disciplina; se não, dificilmente lograremos êxito em alguma coisa. Em relação ao auto-conhecimento não poderia ser diferente. Necessitamos desses atributos, e ainda de nos consciencializar que essa é uma responsabilidade individual e intransferível, da qual não iremos conseguir nos furtar, pois esse é um passo decisivo para o nosso próprio aprimoramento espiritual. A esse respeito, a espiritualidade nos chamar à atenção, afirmando que somos os senhores dos nossos destinos; escrevemos a nossa felicidade ou infelicidade, estando, assim, onde nos colocamos. Conforme nos ensina o espírito Kelvin Van Dine ([1967] 1991:13), “A herança legítima se faz de si para si. Na evolução espiritual, antes de tudo, somos descendentes de nós, antepassados de nossa alma, herdeiros diretos do que fomos”. Incontestavelmente, cuidar de nós é responsabilidade só nossa.

Uma das resistências que encontramos nas pessoas, diante da necessidade de assumirem a responsabilidade de cuidar-se, advém do fato de que se convencionou pensar que cuidar-se é egoísmo, e, que, antes de qualquer coisa, devemos cuidar dos outros, mesmo que às vezes eles dispensem esses nossos cuidados. O que identificamos nessa forma de pensar é um paradigma ultrapassado, que apenas nos atrasa na caminhada do auto-aprimoramento. Nada mais.

 A tarefa evolutiva é aprimorar-se para poder colaborar mais no contexto geral. Fato com que parece concordar o espírito Hammed ([1997] 1998:31) quando diz: “Teu primordial compromisso é contigo mesmo, e tua tarefa mais importante na Terra, para a qual estás unicamente preparado, é desenvolver tua individualidade no transcorrer de tua longa jornada evolutiva.”. É para isso que estamos aqui reencarnados, ser hoje melhor do que ontem. Desenvolvendo-nos dia-a-dia.

Não conseguiremos conviver bem com ninguém se não conseguirmos uma boa convivência conosco. Até porque, quem ficará eternamente comigo sou “eu”; daí, é fundamental para mim aprender conviver comigo, conhecer meus limites e descobrir minhas possibilidades, de modo a tirar o melhor da experiência reencarnatória que estou vivendo, bem como ensina a mentora espiritual Joanna de Ângelis ([1992] 2004:15): “És a única pessoa com quem contarás para estar contigo, desde o berço até o túmulo, e depois dele, como resultado dos teus atos...”. Atingir a plenitude, ou seja, a felicidade, é para quem a escolheu por meta, e trabalha dia-a-dia nessa tarefa.
Convivência saudável, sem invasão de espaços, ou qualquer que seja o constrangimento, é privilegio de quem atingiu a madureza espiritual, de quem se conhece, aceita e respeita-se; e, por consequência, aceita e respeita o outro, esteja ele no nível que estiver. Isso não é utopia, mas é a realidade de quem trabalha no próprio melhoramento.

Na vida nada se improvisa ou acontece por acaso; tudo é fruto de conquista, conseqüência da responsabilidade que se assumiu de guiar a própria existência com sabedoria. Como nos ensina Hammed ([1997] 1998:43): “Assumir total responsabilidade por todas as coisas que acontecem em nossa vida, incluindo sentimentos e emoções, é um passo decisivo em direção a nossa maturidade e crescimento interior.” Só assim, com maturidade espiritual conquistaremos o direito a bons relacionamentos, e a vivermos em paz com o outro.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- KARDEC, Allan. ([1857] 1987). O Livro dos Espíritos – 46ª Edição. São Paulo: LAKE.
- VIEIRA, Waldo. (]1967] 1991). Técnica de Viver. Pelo espírito Kelvin Van Dine. 8ª Edição. Uberaba: Comunhão Espírita Cristã.
- PEREIRA FRANCO, Divaldo. ([1992] 2004). Momentos de Saúde. Pelo espírito Joanna de Ângelis. 5ª Edição. Salvador: LEAL.
- ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco. ([1997] 1998). Renovando Atitudes. Pelo espírito Hammed. – 5ª Edição. Catanduva: Boa Nova.