Estão a Interpretar mal o significado de 2012 ...
Carlos Barrios, ancião maia e Ajq'ij (guia espiritual e sacerdote cerimonial) do Clã da Águia, dedicou muitos anos ao estudo das tradições e calendários maias.
Juntamente com o seu irmão, Gerardo Barrios, estudou com numerosos mestres e entrevistou cerca de 600 anciãos maias, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a sabedoria ancestral desta civilização.
Ao longo desse trabalho, Carlos verificou que existem diversas interpretações contraditórias dos hieróglifos maias, dos petroglifos, dos livros sagrados conhecidos como Chilam Balam e de vários outros textos antigos.
Sobre esse assunto, afirmou:
"Muitos antropólogos visitam os templos, observam as inscrições e criam narrativas sobre os maias, mas nem sempre compreendem corretamente os símbolos. Muitas interpretações resultam de projeções pessoais. Há também quem fale das profecias em nome dos maias sem verdadeiramente conhecer a tradição."
Segundo Carlos Barrios, uma das maiores deturpações foi a ideia amplamente divulgada de que o mundo terminaria em dezembro de 2012.
"Os anciãos maias nunca disseram que o mundo iria acabar. O que afirmam é que a humanidade atravessa um período de transformação."
Na sua visão, este período representa uma passagem entre ciclos:
"Já não estamos plenamente no Mundo do Quarto Sol, mas ainda não entrámos totalmente no Mundo do Quinto Sol. Vivemos um tempo intermédio, um período de transição."
Para ele, essa transição manifesta-se através das profundas mudanças que a humanidade enfrenta: desafios ambientais, transformações sociais, conflitos e alterações globais que refletem um processo de renovação coletiva.
Carlos acrescenta:
"A humanidade continuará a existir, mas de uma forma diferente. As estruturas materiais irão transformar-se e teremos a oportunidade de nos tornarmos mais conscientes e mais humanos."
Segundo os ensinamentos que recebeu dos anciãos, os calendários maias não são instrumentos destinados a prever catástrofes, mas sistemas sofisticados de observação dos ciclos da vida, do tempo e da consciência.
"Os povos indígenas preservaram estes conhecimentos ao longo de gerações e aprenderam a interpretar os seus significados profundos. Os calendários maias ajudam-nos a compreender os ritmos naturais, os ciclos do planeta e os períodos de mudança."
Carlos recorda frequentemente:
"Estas palavras não são minhas. Pertencem aos nossos antepassados."
Segundo a tradição maia, o dia 21 de dezembro de 2012 não representaria o fim do mundo, mas sim a conclusão de um grande ciclo e o início de outro.
Muitos Guardiões do Dia maias consideravam essa data um símbolo de renovação, marcando a entrada numa nova etapa da experiência humana e espiritual.
Durante esse período, vários investigadores e observadores associaram o momento a determinados alinhamentos astronómicos envolvendo o Sol, a Via Láctea e o centro galáctico. Para algumas correntes espirituais, esses fenómenos simbolizavam uma abertura a energias de renovação, consciência e transformação interior.
Carlos afirmava:
"O processo de mudança já começou. A transformação está a acelerar e continuará a acelerar. A forma como atravessarmos este período dependerá das escolhas que fizermos individual e coletivamente."
Por isso, defendia que o mais importante não era esperar por acontecimentos externos, mas assumir responsabilidade pelas nossas ações.
Relembrava também que muitas previsões alarmistas sobre 2012 não tinham origem na tradição maia:
"Muitas pessoas interpretaram esta data de forma sensacionalista. Os anciãos falam de transformação, não de destruição."
Ao longo das suas mensagens, Carlos insistia num ponto essencial: a necessidade de união.
Conta-se que, numa cerimónia realizada em Chichicastenango, um respeitado ancião do povo Mam transmitiu uma mensagem simples mas poderosa:
"Há esperança se aqueles que procuram a luz encontrarem formas de caminhar juntos."
Segundo Carlos, a humanidade vive num mundo de polaridades:
"Dia e noite, masculino e feminino, positivo e negativo. As polaridades fazem parte da vida e procuram naturalmente o equilíbrio."
No entanto, alertava para o facto de que a divisão, o medo, o materialismo excessivo e a competição enfraquecem esse equilíbrio e dificultam a cooperação entre as pessoas.
Para ele, a verdadeira transformação não acontece através do confronto ou da imposição, mas através do coração:
"Aquilo que chamamos escuridão não se vence pela força. Transforma-se através da consciência, da simplicidade, da compaixão e da abertura do coração."
Na sua perspectiva, a nova era estaria associada ao reconhecimento de um quinto elemento:
O Éter
Mais do que uma substância física, o Éter representaria o campo da consciência, da ligação espiritual e da energia que interliga todas as formas de vida.
"O elemento do Quinto Sol é celestial. Ele convida-nos a transcender as divisões e a descobrir uma unidade mais elevada."
Por essa razão, Carlos apelava ao compromisso com a paz, a proteção da Terra e a responsabilidade coletiva.
"Precisamos de cuidar da Terra que nos alimenta, nos abriga e sustenta a vida. É tempo de unir mente e coração para preservar a existência e construir um futuro equilibrado."
Também sublinhava a importância da ação prática:
"A meditação e as práticas espirituais são valiosas, mas precisam de ser acompanhadas por ações concretas."
Incentivava as pessoas a viverem de forma consciente, respeitando os ciclos da natureza, cuidando da alimentação, aprendendo a conservar recursos e fortalecendo a ligação entre o corpo, a mente e o espírito.
Além disso, considerava fundamental desenvolver uma maior sensibilidade à energia presente em todas as formas de vida:
"Vivemos num universo de energia. Aprender a senti-la e a respeitá-la será cada vez mais importante."
Carlos também encorajava visitas a lugares considerados sagrados e momentos de oração dedicados à paz mundial, sempre com profundo respeito pela Terra.
Para ele, cada pessoa tem um papel importante neste momento da evolução humana:
"Ninguém está aqui por acaso. Cada ser possui um propósito e uma contribuição única para oferecer."
A sua mensagem final permanece simples e profundamente atual:
"A maior sabedoria encontra-se na simplicidade: amor, respeito, tolerância, partilha, gratidão e perdão."
E conclui:
"O verdadeiro conhecimento não é algo distante. Está dentro de cada um de nós. Encontrem o vosso coração e encontrarão o vosso caminho."
Independentemente das interpretações sobre 2012, a essência desta mensagem continua relevante: a humanidade vive ciclos de transformação e cada pessoa é chamada a participar conscientemente na construção de um mundo mais equilibrado, compassivo e harmonioso. Mais do que prever acontecimentos futuros, o ensinamento convida-nos a refletir sobre as nossas escolhas, a nossa relação com a Terra e a importância da unidade entre todos os seres.
Conselho de Luz
Por: Matéria Sublime


