22 março 2016

O Verdadeiro Significado da Páscoa

Hoje quero falar-vos sobre esta festa que vocês chamam de Páscoa. Se hoje venho falar-vos, é porque muitos de vós ainda compreendem de forma equivocada aquele que foi o vosso amado Jesus.

Existem certas informações que vos levam a acreditar que Eu sou Aquele que veio para vos castigar. Mas não foi isso que Eu disse. O que ensinei foi que deveriam agir de forma harmoniosa, partilhando os vossos bens mais preciosos, entre eles o amor, com aqueles que dele necessitam.

Falei-vos da dádiva que brota do fundo do vosso ser e da importância de irem ao encontro do próximo para aprender aquilo que a vida vos tem para ensinar.

Aquilo que precisam de aprender encontra-se nas lições da vossa vida quotidiana. Uns necessitam de amor, outros necessitam de compreensão, outros de auxílio. Por isso vos disse: amai-vos uns aos outros, para que todos possam sentir-se amados.

Ainda me sinto responsável por aquilo que a humanidade fez com as minhas mensagens, e o Meu único desejo é colocar em ordem aquilo que foi desordenado por alguns.

Organizando informações

É importante que saibam que as vossas comemorações da Páscoa emitem vibrações que se caracterizam pelo culto à dor e ao sofrimento. É isso que se observa do alto, quando se medem os níveis de energia gerados por vós durante este período.

Aquilo que comemoram como sendo a minha ressurreição teve como objetivo mostrar-vos a possibilidade da chamada ascensão em corpo físico, alcançada após um trabalho interior de aproximação com o meu Eu superior.

No entanto, essa ideia foi deturpada e modificada, levando-vos a acreditar que o caminho para o Pai passa pelo sofrimento, pela dor e pela culpa. Fizeram-vos acreditar no sofrimento.

Fizeram-vos acreditar que elevar as vossas vibrações estaria associado ao sofrimento físico, afastando-vos assim dos vossos próprios caminhos. E essa ideia expandiu-se muito para além dos Meus seguidores.

Para manterem os seus domínios sustentados no medo e no sofrimento, fizeram-vos acreditar que Eu aceitei vivenciar a dor e apresentaram-Me como alguém sem poder sobre o Meu próprio Ser, privado da ajuda do Pai que tanto Me ama.

Pergunto-vos: Seria isso verdade? Deixaria um Pai que o Seu Filho legítimo permanecesse entregue ao sofrimento?

Crucificação: uma história inventada?

Quero que saibam que nem todos os acontecimentos da história que vos contaram estão fundamentados na Verdade. É necessário examinar os verdadeiros fundamentos dos factos que vos foram apresentados.

Transformaram a verdadeira história num culto ao meu sofrimento. Isso levou-vos a sentir culpa, medo de um eventual castigo e até a acreditar que existe uma obrigação de sofrer nas vossas experiências terrenas.

Muitos de vocês acreditam que, ao sofrer, estão a redimir os vossos pecados. Mas Eu pergunto-vos: Quais são os vossos pecados? Voltem no tempo através da vossa mente, onde todos os registos permanecem armazenados. Elevem-se acima do ego e poderão sentir aquilo que realmente foi a chamada "crucificação".

Permitem que a ideia do sofrimento entre na vossa mente?

Quando utilizam uma celebração para cultuar a dor e o sofrimento, algo que não existiu da forma que imaginam, estão a reforçar essa ideia. E, ao fazê-lo, permitem que a dor, o sofrimento, o medo e a culpa entrem novamente nas vossas mentes.

Hoje venho até vós para vos pedir, mais uma vez, que comecem a olhar para a história que vos contaram pelos "olhos de Deus", que habitava em mim e que  agora também habita em  vocês.

Um dos meus objetivos ao nascer aqui  foi mostrar-vos o Deus que habita dentro de cada Ser, apresentar-vos a realidade da transformação em corpo físico e indicar-vos os caminhos pelos quais isso poderia ser alcançado.

Eu deixei-vos o caminho. A Minha ascensão  para outro plano ocorreu em público, fora do contexto da crucificação.

Parti deste vosso plano

Eu parti para o mesmo lugar que deixei antes de vir a este planeta, diante dos meus discípulos e de alguns outros que testemunharam esse momento. Contrariamente ao que muitos imaginam, tudo aconteceu de forma suave e alegre.

A minha transformação incomodou muitos, especialmente aqueles que desejavam manter a humanidade subjugada ao ego.

Porque nos contaram outra história?

Para manter o controlo, inventaram factos para que vocês pensassem que o "comando" não vinha de Deus. Hologramas foram criados para que a minha mensagem fosse desviada e sem importância.

Quis o poder do ego, vigente na época, transformar um acontecimento maravilhoso em sofrimento, dando-lhes a impressão de que não se chega ao Pai senão através da dor e do sofrimento. Isto gerou medo em muitos e levou-os a abandonar o caminho.

Vocês sabiam que acreditar na dor pode fazer-vos sofrer?

Vocês possuem escolhas pessoais, possuem o livre-arbítrio. Nisso, Eu não posso interferir, e ao escolherem a realidade do sofrimento, acreditam nela e acabam por viver as mais diversas dores.

Eu sabia que isto poderia acontecer. Sabia que muitos de vocês não estariam prontos para aceitar e acreditar num acontecimento tão "bizarro" quanto aquele que vos mostrei. Porém, este é um momento de amadurecimento da Humanidade, e à medida que crescem, podem deixar de acreditar naquilo que alguns desejam que acreditem.

É chegado o momento de sair das vossas mentes infantis e olhar para todos os acontecimentos com os olhos do Eu superior, aquele que habita dentro de vós e possui a sabedoria necessária para discernir o que é real e o que não é.

Nesta Páscoa

Eu peço para fazerem algo diferente. Proponho-vos que abandonem a imagem da crucificação e se conectem com o facto real: o meu caminho para o Deus. Peço-vos que olhem para além da história que vos foi contada.

Desejo que saibam que não existe sofrimento no caminho que conduz a Deus. Ele, que vos gerou, jamais criaria uma veneração à dor física. Da mesma forma, jamais deixaria um Filho Seu percorrer caminhos tão amargos e cruéis.

A minha passagem pela Terra foi suave e serena. Eu passei a minha mensagem, viu quem quis. Acreditou quem quis acreditar. Subi em espirito, com alegria. 

Eu sabia que um dia me compreenderiam, e esse momento chegou.

Vocês estão a crescer e as vossas mentes estão prontas. Verá quem quiser ver. Verá quem estiver pronto para abandonar as camadas do ego e das suas próprias crenças limitadoras.

Podemos mudar a história

Lembro-vos que, de onde Eu vos vejo, não existe tempo. Para mim, tudo aconteceu há apenas um instante. 

Vocês podem mudar a história, há sempre tempo. Podem decidir ver a verdade por detrás dos factos. Têm capacidade para isso. Ver para além das aparências significa posicionar-se dentro da Verdade que hoje vos mostro.

Qual é a mensagem para hoje?

Desejo que despertem. Despertem agora. A minha mensagem desta vez é simples: Despertem deste sonho de sofrimento.

Olhem para mim, Eu e o meu Eu superior, e vejam que estamos bem aqui, exatamente onde pensam não nos poder encontrar. Saiam do sonho do sofrimento e despertem. O mundo que acreditam ser real é apenas uma ilusão.

Desejo que comecem a reflectir sobre o verdadeiro significado do que vocês chamam de  ressurreição. É necessário olhar para além de tudo aquilo em que acreditaram até hoje. Olhem com os olhos do Eu superior. O Universo é muito maior do que imaginam.

Os motivos pelos quais estão na Terra vão muito além daquilo que os vossos olhos físicos conseguem ver. Ampliem os vossos horizontes. Expandam as vossas consciências. Vejam quem verdadeiramente são. Olhem para a vossa realidade de outra forma.

Relacionem-se uns com os outros de outra forma. Vivam as vossas vidas de outra forma. Façam diferente. Ousem fazer diferente. Experimentem acreditar em algo diferente desta vez. É necessário olhar para além das aparências.

Desapegar-se da ideia da dor: um sacrifício de Páscoa?

Despertar neste momento significa fazer ressurgir das cinzas a vossa Consciência Divina. Neste período, desejo que se desapeguem da crença e do culto à dor e ao sofrimento. 

Este é o único sacrifício que vos peço nesta Páscoa. Um sacrifício que consiste em abandonar a ideia do sofrimento. Um sacrifício de abandono das crenças no irreal, para que a Verdade possa surgir diante daqueles que realmente desejam vê-la.

Mais uma vez, mostro-vos o caminho: Peçam para ver. Intencionem ver e sentir o universo de Deus. Aceitem Deus nos vossos corações e decidam nunca mais ser manipulados através do medo.

As forças de Deus estão disponíveis para todos. Eu, como vosso Irmão de outra dimensão, mostrar-vos-ei que o caminho que conduz a Deus é suave e alegre.

Sei que alguns poderão sentir-se chocados com estas palavras. A esses, peço apenas que me compreendam. É chegado o momento de as vossas mentes se abrirem à verdade.

O que utilizam para se sentirem felizes? Como preenchem o vosso ser? Desafio-vos a pensar de forma diferente nesta celebração.

Desafio-vos a abandonar os meros "brinquedos" que vos mantêm presos a uma realidade confusa e distante do universo de Deus. Percebam que os chocolates não poderão oferecer o preenchimento interior que tanto procuram.

Que a ressurreição de hoje seja a expansão da consciência de todo um universo que vibra Amor e se manifesta numa ordem que beneficia a todos.

Que, desta forma, possam restabelecer a ligação com o Eu superior, assim como Eu fiz e como declarei ser possível fazer.

Em bênçãos de despertar, neste momento decisivo de foco na única verdade que existe, sempre existiu e sempre existirá.

Eu Sou Jesus, o Cristo.

Ao Serviço de Deus que está em vocês também


18 março 2016

O Despertar da Consciência e a Construção da Autenticidade




"Entre a Aprovação dos Outros e a Verdade Interior"
Amados,

O ser humano, enquanto amadurece psicologicamente, enfrenta frequentemente momentos de dúvida quanto ao seu lugar no mundo e à forma como deve relacionar-se com os outros. A insegurança pode levá-lo a esconder aspectos autênticos da sua personalidade para corresponder às expectativas exteriores.

Muitas vezes, na tentativa de ser aceite, a pessoa procura agradar constantemente aos outros, sacrificando os próprios sentimentos, opiniões e aspirações. Sem se aperceber, passa a viver mais em função da aprovação alheia do que da sua verdade interior.

Quando isso acontece, corre o risco de perder o contacto consigo mesma. Torna-se um reflexo das expectativas dos outros, adaptando-se continuamente para se sentir valorizada. No entanto, essa estratégia raramente produz a paz ou a segurança que procura.

As relações humanas são complexas e estão em constante mudança. Aquilo que agrada alguém hoje pode não agradar amanhã. Quando a identidade pessoal depende excessivamente da validação externa, surgem inevitavelmente frustrações, conflitos e sentimentos de desilusão.

Por vezes, após longos períodos de adaptação e silêncio interior, a pessoa reage de forma brusca, procurando afirmar-se através de atitudes defensivas ou agressivas. Contudo, a verdadeira autenticidade não nasce da revolta nem da necessidade de provar algo. Surge quando aprendemos a expressar quem somos com equilíbrio, respeito e serenidade.

Muitos indivíduos vivem como se estivessem parcialmente adormecidos para a própria realidade. Funcionam segundo hábitos, condicionamentos e padrões adquiridos ao longo da vida, sem questionar profundamente se esses caminhos correspondem realmente àquilo que desejam viver.

Preocupam-se tanto com as expectativas dos outros que acabam por esquecer as suas próprias necessidades, valores e objetivos.

Ao mesmo tempo, podem deixar-se conduzir por modelos sociais, tradições ou influências culturais que nem sempre refletem a sua verdade interior. A pressão do grupo, a influência dos meios de comunicação, o receio da rejeição ou o desejo de pertença podem afastar a pessoa daquilo que realmente é.

Por isso, torna-se essencial desenvolver momentos de reflexão consciente. Perguntar a si próprio:

Quem sou verdadeiramente?
O que desejo construir na minha vida?
Os meus comportamentos estão alinhados com os meus valores?
Estou a viver de acordo com aquilo que considero significativo?

Essas perguntas podem abrir caminhos importantes de autoconhecimento.

A autenticidade não exige exibicionismo nem isolamento. Não nasce da necessidade de chamar atenção nem da tentativa de se esconder do mundo. Surge da capacidade de viver com naturalidade, reconhecendo tanto as próprias potencialidades como as limitações.

Neste contexto, permanecem atuais as palavras do apóstolo Paulo:

"Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará."
Entre a Aprovação dos Outros e a Verdade Interior"

Independentemente da interpretação religiosa, esta passagem pode ser compreendida como um convite ao despertar da consciência.

Dormir, simbolicamente, significa viver sem questionar, sem refletir e sem assumir responsabilidade pelo próprio crescimento. Despertar significa tornar-se consciente das escolhas, dos pensamentos e dos caminhos que orientam a existência.

O processo de libertação interior exige compromisso consigo mesmo. Implica descobrir o que realmente se deseja da vida e agir de forma coerente com essa descoberta.

Nenhum ideal se concretiza sem dedicação. Qualquer crescimento significativo requer perseverança, disciplina e coragem para enfrentar desafios.

Também é importante libertar-se da autocomiseração. Embora seja natural sentir fragilidade em determinados momentos, permanecer permanentemente identificado com a condição de vítima impede o desenvolvimento da força interior.

Cada ser humano possui recursos interiores capazes de o ajudar a superar dificuldades, aprender com as experiências e crescer através dos desafios.

Isso não significa negar o sofrimento nem ignorar as necessidades emocionais. Significa reconhecer que existe dentro de cada pessoa uma capacidade de renovação muito maior do que muitas vezes imagina.

Nos relacionamentos humanos, aqueles que cultivam equilíbrio, segurança interior e alegria de viver tornam-se naturalmente fontes de inspiração e bem-estar para os outros.

Por isso, vale a pena aprofundar a reflexão sobre aquilo que são e sobre aquilo que aparentam ser. Esse exercício favorece o fortalecimento da identidade e liberta-vos dos mecanismos de fuga que frequentemente vos afastam da realidade.

O verdadeiro despertar começa quando deixam de viver apenas para corresponder às expectativas exteriores e passam a construir uma relação sincera, consciente e harmoniosa com vocês.

É nesse encontro com a própria verdade que nasce a liberdade interior.

Um ser que vos acompanha e cuida todos os dias da vossa vida.

Por: Matéria Sublime

Necessidades Humanas - 18/03/2016



O ser humano estabeleceu como necessidades próprias da sua vida aquelas que dizem respeito aos fenômenos fisiológicos, com toda a sua gama de imposições: alimentação, habitação, agasalho, segurança, reprodução, bem-estar, posição social. Poderemos denominar essas necessidades como imediatas ou inferiores, sob os pontos de vista psicológico e ético-estético.

Inevitavelmente, a conquista dessas necessidades não planifica integralmente o ser e surgem aqueles outros de caráter superior, que independem dos conteúdos palpáveis imediatos: a beleza, a harmonia, a cultura, a arte, a religião, a entrega espiritual. Toda a herança antropológica se situa nos automatismos básicos da sobrevivência no corpo, na luta com as demais espécies, na previdência mediante armazenamento de produtos que lhe garantam a continuação da vida, na procriação e defesa dos filhos, da propriedade... Para que pudesse prosseguir em garantia, tornou-se belicoso e desconfiado, desenvolvendo o instinto de conservação, desde o aprimorar do olfato até a percepção intuitiva do perigo.

Desenhadas no seu mundo interior essas necessidades básicas, indispensáveis à vida, entrega-se a uma luta incessante, feita, muitas vezes, de sofrimentos sem termos, por lhe faltarem reflexão e capacidade de identificação do real e do secundário.

Aprisionado no círculo estreito dessas necessidades, mesmo quando intelectualizado, sua escala de valores permanece igual, sem haver sofrido a alteração transformadora de objetivos e conquistas. Todas as suas realizações podem ser resumidas nesses princípios fisiológicos, inferiores, de resultado imediato e significado veloz. Atormenta-se, quando tem tudo organizado e em excesso, dominado pelo medo de perder, de ser usurpado, e atira-se na volúpia desequilibrada de querer mais, de reunir muito mais, precatando-se contra as chamadas incertezas da sorte e da vida. Se experimenta carência, porque não conseguiu amealhar quanto desejaria, a fim de desfrutar de segurança, aflige-se, por perceber-se desequipado dos recursos que levam à tranquilidade, em terrível engodo de conceituação da vida e das suas metas. Ninguém pode viver, é certo, sem o mínimo de recursos materiais, uma existência digna, social e equilibrada.

Mas, esse mínimo de recursos pode atender e sustentar outros valores psicológicos, superiores, que situam o ser acima das circunstâncias oscilantes do ter e do deixar de ter. A grande preocupação deverá ser de referência a como conduzir-se diante dos desafios da sua realidade, não excogitada como essencial para a própria auto identificação, autorrealização integral. A luta cotidiana produz resultados imediatos, que contribuem para atender as necessidades básicas da existência, mas é indispensável alongar-se na conquista de outras importantes exigências da evolução, que são as de natureza psicológica, que transcendem lugar, situação, posição ou poder. Enquanto um estômago alimentado propicia reconforto orgânico, uma conversação edificante com um amigo faculta bem-estar moral; uma propriedade rica de peças raras e de alto preço oferece alegria e concede comodidade, mas um momento de meditação enriquece de paz interior inigualável; o apoio de autoridades ou guarda-costas favorece segurança, em muitos casos, entretanto a consciência reta, que resulta de uma conduta nobre, proporciona tranquilidade total; roupas expressivas e variadas ajudam na aparência e agradam, no entanto, harmonia mental e correção de trato irradiam beleza incomum; o frenesi sexual expressa destaque na vida social, todavia, o êxtase de um momento de amor profundo compensa e renova o ser, vitalizando-o; a projeção na comunidade massageia o ego, mas a conquista do Si felicita interiormente.

As necessidades básicas fisiológicas são sempre acompanhadas de novas exigências, porque logo perdem a função. Aquelas de natureza psicológica superior se desdobram em va- riantes inumeráveis, que não cessam de proporcionar beleza. Por isso mesmo, a realidade do ser está além da sua forma, da roupagem em que se apresenta, sendo encontrada nos valores intrínsecos de que é constituído, merecendo todo o contributo de esforço emocional e moral para conseguir identificar-se. Somente aí a saúde se torna factível, o bem se faz presente e os ideais de enobrecimento da sociedade como da própria criatura se tornam legítimos, de fácil aquisição por todo aquele que se empenha na sua conquista.

Livro Vida

17 março 2016

Disciplina da Vontade - 17/03/2016



Essa faculdade de representar um ato que pode ou não ser praticado, como definem os bons dicionaristas, a vontade, tem que ser orientada mediante a disciplina mental, trabalhada com exercícios de meditação, através de pensamentos elevados, de forma que gerem condicionamento novo, estabelecendo hábito diferente do comum.  Necessariamente são indispensáveis vários recursos que auxiliam a montagem dos equipamentos da vontade, a saber: paciência, perseverança, autoconfiança.

A paciência ensina que todo trabalho começa, mas não se pode aguardar imediato término, porque conquistada uma etapa, outra surge desafiadora, já que o ser não cessa de crescer. Somente através de um programa cuidadoso e continuado logra-se alcançar o objetivo que se busca.

Tranquilamente se processa o trabalho de cada momento, abrindo-se novos horizontes que serão desbravados posteriormente, abandonando-se a pressa e não se permitindo afligir porque não se haja conseguido concluí-lo. A paciência é recurso que se treina com insistência para dar continuidade a qualquer empreendimento, esperando-se que outros fatores, que independem da pessoa, contribuam para os resultados que se espera alcançar.

Esse mecanismo é todo um resultado de esforço bem direcionado, consistindo no ritmo do trabalho que não deve ser interrompido. Lentamente são criados no inconsciente condicionamentos em favor da faculdade de esperar, aquietando as ansiedades perturbadoras e criando um clima de equilíbrio emocional no ser. Como qualquer outra conquista, a paciência exige treinamento, constância e fé na capacidade de realizar o trabalho, como requisitos indispensáveis para ser alcançada. Evita exorbitar nas exigências do crescimento íntimo, no começo, elaborando um programa que deve ser aplicado sem saltos, passo a passo, o que contribui para os resultados excelentes, que abrirão oportunidade a outras possibilidades de desenvolvimento pessoal.

Na tradição do Cristianismo primitivo, consideravam-se santos aqueles que eram portadores de atitudes incomuns, capazes de enfrentar situações insuportáveis e mesmo testemunhos incomparáveis. Certamente surgiram também várias lendas, muito do sabor da imaginação, conforme sucede em todas as épocas. Não obstante, conta-se que São Kevin, desejando orar, foi tomado por uma atitude de ardor e distendeu os braços pela janela aberta, preparando-se. Nesse momento, uma ave canora pousou-lhe na palma da mão distendida, e começou a fazer um ninho nesse inusitado suporte. Passaram duas ou mais semanas, e São Kevin permaneceu imóvel, até que a avezita concluiu o dever de chocar os ovos que ali depositara.

Os companheiros consideraram esse um ato de paciência abençoada e invulgar paciência!
Não é necessário que se chegue a esse estágio, certamente impossível de vivê-lo, mas que serve para demonstrar que, mediante a sua presença, mesmo o inverossímil torna--se verossímil.

Surge, então, a perseverança como fator imprescindível à disciplina da vontade.

A perseverança se apresenta como pertinácia, insistência no labor que se está ou se pretende executar, de forma que não se interrompa o curso programado. Mesmo quando os desafios se manifestam, a firmeza da decisão pela consciência do que se vai efetuar, faculta maior interesse no processo desenvolvido, propondo levar o projeto até o fim, sem que o desânimo encontre guarida ou trabalhe desfavoravelmente.

Somente através da perseverança é que se consegue amoldar as ambições aos atos, tornando-os realizáveis, materializando-os, particularmente no que diz  àqueles de elevada qualidade moral, que resultam em bênçãos de qualquer natureza em favor do Espírito. Quando não iniciado no dever, o indivíduo abandona os esforços que deve envidar para atingir as metas que persegue. Afirma-se sem o necessário valor moral para prosseguir, não obstante, quando se direciona para o prazer, para as acomodações que lhe agradam o paladar do comportamento doentio, deixa-se arrastar por eles, deslizando nos resvaladouros da insensatez, escusando-se à luta, porque, embora diga não se estar sentindo bem, apraz-lhe a situação, em mecanismo psicopatológico masoquista.

Ê conquista da consciência desperta o esforço para perseverar nos objetivos elevados, que alçam o ser do parasitismo intelectual e moral ao campo no qual desabrocham os incontáveis recursos que lhe dormem no mundo íntimo, somente aguardando o despertamento que a sua vontade proponha.

Como qualquer outro condicionamento, a perseverança decorre da insistência que se impõe o indivíduo, para alcançar os objetivos que o promovem e o dignificam. Ninguém existe sem ela ou incapaz de consegui-la, porque resulta apenas do desejo que se transforma em tentativa e que se realiza em atitude contínua de ação. Da conquista da paciência, em face da perseverança que a completa, passa-se à autoconfiança, à certeza das possibilidades existentes que podem ser aplicadas em favor dos anseios íntimos. Desaparecem o medo e os mecanismos autopunitivos,, autoafligentes, que são fatores dissolventes do progresso, da evolução do ser.

Mediante essa conquista, a vontade passa a ser comandada pela mente saudável, que discerne entre o que deve e pode fazer, quais são os objetivos da sua existência na Terra e como amadurecer emocional e psicologicamente, para enfrentar as vicissitudes, as dificuldades, os problemas que fazem parte de todo o desenrolar do crescimento interior.

Nesse trabalho, a criança psicológica, adormecida no ser e que teima por ser acalentada, cede lugar ao adulto de vontade firme e confiante, que programa os seus atos trabalhando com afinco para conseguir resultados satisfatórios. Nessa empreitada ele não deseja triunfar sobre os outros, conquistar o mundo, tornar-se famoso, conduzir as massas, ser deificado, porque a sua é a luta para conquistar-se, realizar-se interiormente, de cujo esforço virão as outras posses, essas de secundária importância, mas que fazem parte também dos mecanismos existenciais, que constituem o desenvolvimento, o progresso da sociedade, o surgimento das suas lideranças, dos seus astros e construtores do futuro. Todo esse empreendimento resulta da vontade disciplinada, que se torna o mais notável instrumento de trabalho para a vitória da existência física do ser pensante na Terra. Equipado por esses instrumentos preciosos, começa o novo ciclo de amadurecimento da criatura humana, que agora aspira à conquista do Universo, porquanto o seu cosmo íntimo já está sendo controlado.

(Vida)

Os Arquétipos


O conceito de arquétipo, adotado por Jung, já era conhecido desde Philo Judaeus, referindo-se à Imago Dei, que seria a imagem divina que existe no ser humano. Irinaeus, por sua vez, segundo Jung, afirmava que O criador do mundo não formou estas coisas diretamente de si mesmo, mas as copiou de arquétipos exteriores.

Em realidade, o arquétipo procede da proposta platônica em torno do mundo das idéias, primordial e terminal, de onde tudo se origina e para onde tudo retorna.

Jung utilizou-se do pensamento platônico para referir-se a imagens universais, que são preexistentes no ser - ou que procedem do primeiro ser - desde os tempos imemoriais.

Permanecem esses símbolos no inconsciente humano, independente de quaisquer outras construções psicológicas, dando-lhe semelhança e até uniformidade de experiência, tornando-se uma representação que perdura imaginativamente. Tais imagens são comuns a todos os povos e características da espécie humana desde os seus primórdios, que surgem espontaneamente e têm várias configurações nos mitos e símbolos de todas as culturas.

A palavra arquétipo se origina do grego arkhe, que significa o primeiro, e typon, que significa marca, cunho, modelo, sendo, por isso mesmo, as marcas ou modelos primordiais, iniciais, que constituem o arcabouço psicológico do indivíduo, facultando a identificação da criatura humana. Existem no ser como herança, como parte integrante do seu processo de evolução.

Muitas vezes esses arquétipos surgem nos sonhos como imagens preexistentes, liberando-se do inconsciente. No entanto, nem todos os símbolos são procedentes dos arquétipos, porque podem ter origem na própria energia do indivíduo, nas suas atuais fixações, traumatismos psicológicos, conflitos, frustrações, ansiedades e desejos. Diferem, os arquétipos, dessa energia inerente ao ser, porque os primeiros têm um caráter universal, enquanto os outros são individuais.

Em se considerando a universalidade dos arquétipos, há uma grande variedade de símbolos que foram classificados por Jung, e posteriormente pelos seus discípulos e sucessores. No entanto, não podem ter um número fixo, porque sempre estão a apresentar-se com características individuais, em variações naturais, decorrentes de padrões e sinais de cada personalidade.

Jung asseverou que o termo alma, adotado pelas religiões, apareceu naturalmente, em razão do arquétipo, que tem a sua contrapartida psicológica. Na mulher, a alma seria masculina, de existência interior, que se casa com Cristo, no conceito da união paulina e do matrimônio religioso da mulher com Jesus, enquanto que, no homem, é feminina, como sendo a sua musa inspiradora, responsável pela beleza poética, literária e artística em geral. Essa representação psicológica aparece nos sonhos como anima para os homens e animus para as mulheres.

Se um indivíduo tem um sonho com o demônio, não significaria necessariamente que estivesse em contato com ele, mas com o arquétipo símbolo do mal, que existe no inconsciente de todos os povos desde a sua origem e permanece através dos milênios. Assim também o anjo, o amor, o ódio e outros são símbolos que sempre existiram no íntimo dos seres e que se transmitem através do inconsciente coletivo, exercendo um papel preponderante na linguagem onírica e no comportamento existencial.

Eles surgem e preponderam na vida psicológica dos indivíduos, sem que os mesmos se dêem conta, aparecendo, inclusive, nos acontecimentos banais, comuns do dia da dia.

Quando alguém se refere a outrem, exaltando-lhe o estoicismo ou citando a covardia, está identificando o arquétipo que vive no seu próprio inconsciente e tem um caráter geral, comum a todos os demais. Assim sendo, sempre é encontrado nos outros aquilo que jaz na própria pessoa, o que lhe facilita o reconhecimento.

As criaturas são todas multidimensionais, possuindo características comuns, resultado da perfeita reunião dos arquétipos que constituem cada individualidade. Isto faculta a compreensão da outra, a sua identificação em valores, qualidades e sentimentos. Normalmente esses arquétipos aparecem envoltos em símbolos místicos, divinos, com características de realidade ou em forma de fantasias, que os sonhos desvelam de maneira determinante.

Concordando, em parte, com o eminente mestre, agregaríamos que muitos símbolos, que se apresentam como arquétipos, provêm de um outro tipo de herança primordial: a da experiência de cada Espírito pelo imenso oceano das reencarnações. Graças às mesmas, são transmitidas as vivências de uma para outra etapa, prevalecendo como determinantes do comportamento aquelas que foram mais vigorosas, assim estabelecendo, no inconsciente individual e profundo, símbolos que emergem no sonho ou durante a lucidez como conflitos variados, necessitados de liberação.

O processo da reencarnação explica a presença dos arquétipos no ser humano, porque ele é herdeiro das suas próprias realizações através dos tempos, adquirindo, em cada etapa, valores e conhecimentos que permanecem armazenados nos refolhos do ser eterno que é.

Enquanto o insigne mestre situa todos os deuses e gênios, heróis e modelos do Panteão grego, inclusive os de outros povos, como sendo a presença dos símbolos geradores dos arquétipos, o estudo das reencarnações demonstra que, mesmo em forma de símbolos, algumas das lendas e mitos presentes na história dos povos são resultantes da inspiração espiritual, de insigbts experimentados por inúmeras pessoas, assim também confirmando a preexistência do Espírito ao corpo e a sua sobrevivência à morte.

Esses tipos primordiais, retiradas as indumentárias das lendas, que pertencem ao desenvolvimento do pensamento nos seus variados níveis de crescimento até alcançar o racional, o lógico, existiram, não somente na imaginação, mas como realidade que a fantasia adornou e perpetuou em figurações mitológicas.

Certamente, como afirma Jung, esses arquétipos aparecem nos sonhos como personalidades divinas, religiosas, portadoras de conteúdos transcendentais e se apresentam como sobrenaturais, invencíveis. Em muitas circunstâncias, porém, são encontros com seres transpessoais, que sobrevivem à morte e que habitam, não só o mundo das idéias, da concepção platônica, mas o da energia, precedente ao material, ao orgânico, que é causai e atemporal.

Podemos, portanto, em uma visão transpessoal dos acontecimentos, associar os arquétipos a outro tipo de realidade vivida e ínsita no inconsciente profundo - o Espírito - ditando os comportamentos da atualidade, que são as experiências espirituais, parapsíquicas e mediúnicas.

Aprofundar a busca no oceano do inconsciente para eliminar os conflitos decorrentes das várias ocorrências passadas — as atuais e as das reencarnações anteriores — conseguir a individuação, eis a meta que aguarda aquele que deseja estar desperto, consciente da sua realidade e que luta em favor da sua iluminação interior e felicidade total.


Livro Vida