Era domingo, 11/11/12. Fui visitar os meus pais e, estando ali perto, senti que devia subir à Serra da Freita — a serra que sempre foi casa para o meu coração. Faltavam dois dias para o trabalho que seria feito com o cristal, e eu sabia que não estaria presente fisicamente. Por isso, deixei que a serra me recebesse uma última vez antes desse ciclo se completar.
Por volta das 15h30 comecei a subir. À medida que avançava, uma emoção profunda tomou conta de mim — não como algo dramático, mas como reconhecimento interior de que estava a entrar num espaço sagrado da minha própria história.
Eu não me lembrava que naquele dia ocorreria um eclipse, nem que as energias estariam mais intensas. Apenas seguia o impulso de estar ali. Sabia que o cristal, físico e subtil, estava associado ao pico de S. Pedro, mas não sabia exatamente onde ficava.
Cheguei a uma zona da serra e saí do carro. O céu estava de um azul puro, e a luz parecia mais viva do que o habitual. Olhei para os quatro pontos cardeais, perguntando-me intuitivamente onde estaria o pico. Num dos lados vi uma elevação com um pilar de cimento. Senti que era ali.
Desci, contornei a montanha e subi até ao topo. A emoção crescia e as lágrimas corriam — não por tristeza, mas por reconhecimento. Quando cheguei, parei. O sol brilhava diretamente sobre o pico, como se me chamasse. Fitei-o. A luz tornou-se dourada dentro de mim.
Segui um gesto antigo, não como ritual obrigatório, mas como memória interior: toquei a terra com a mão, depois levei-a à testa, e por fim ao lado esquerdo do peito, junto ao coração. Era a forma como o meu corpo queria honrar aquele momento.
Ao descer, a luz dourada permaneceu comigo por alguns minutos — não como visão mística, mas como sensação de presença, de alinhamento, de clareza. Pouco depois encontrei um homem que confirmou que aquele era, de facto, o pico de S. Pedro.
Ali senti que um ciclo se tinha completado. Uma etapa do meu caminho interior chegava ao fim. Outra começava — num novo patamar de consciência, com aquele que me segue e leva todos os dias onde devo estar
Em amor e luz
Por: Matéria Sublime vs. Céliah

2 comentários:
Eu moro no vale dessa Serra da Freita e já tinha notado que algo estranho acontecia em certos sitios dela, só que não sabia o quê. Mas agora que ando a fazer o meu caminho em direcção "á LUZ" já sei porque coisas para mim estranhas aconteciam.
Bem haja por divulgar e partilhar o que aconteceu consigo.
Se me permitir voltarei.
Namastê
Maria José
Querida Maria José seja bem vinda, sinta-se acolhida. Beijo na alma.
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